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Uma decisão sobre asilo e retorno, 16 feridos em Albufeira e um plano de recuperação de 22 mil milhões dado como concluído com obras por terminar.

Bombas de combustível num posto em Paranhos, Porto
Posto de combustível em Paranhos, Porto. Fotografia: Joehawkins, CC BY-SA 4.0.

Três histórias a reter

Tribunal valida decreto sobre asilo e retorno, mas ainda não era lei

O edifício do Tribunal Constitucional, Palácio Ratton, em Lisboa
Palácio Ratton, sede do Tribunal Constitucional. Fotografia: Novo Liceu, CC BY 3.0. Fonte da imagem

Em Portugal, o Tribunal Constitucional decidiu por unanimidade, na sexta-feira, que as 11 questões submetidas a fiscalização preventiva não revelavam normas inconstitucionais. Fazem parte de um decreto que altera as regras sobre asilo, detenção e retorno ou afastamento de cidadãos estrangeiros.

A fiscalização abrangeu a detenção em centros de instalação temporária até 180 dias, com possível prorrogação; o tratamento de crianças e famílias; a possibilidade de separar pais e filhos; o afastamento de menores; e o efeito suspensivo de um recurso contra uma decisão administrativa desfavorável. O Presidente António José Seguro pedira ao tribunal que analisasse dúvidas relativas às crianças, unidade familiar, liberdade pessoal e acesso aos tribunais.

A decisão não fez entrar o decreto em vigor. À hora de fecho de sábado, o diploma tinha regressado ao Presidente, que ainda podia promulgá-lo ou exercer um veto político.

Para a maioria dos residentes estrangeiros, isto não é uma anulação ou alteração geral das autorizações de residência. O alcance imediato é mais estreito: pedidos de asilo, detenção e procedimentos de retorno. A aplicação das salvaguardas relativas a crianças, refugiados e famílias com estatutos diferentes pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), pelas polícias e pelos tribunais determinará o alcance prático do decreto.

O decreto ainda precisava de uma decisão do Presidente e de ser publicado no Diário da República antes de as novas regras poderem entrar em vigor.

Comunicado do Tribunal Constitucional Notícia sobre a decisão
Bares e esplanadas na Avenida Sá Carneiro, na zona da Oura, em Albufeira
Avenida Sá Carneiro, na zona da Oura, em Albufeira, em 2016. Fotografia: Kolforn, CC BY-SA 4.0. Fonte da imagem

Um condutor feriu 16 pessoas na zona noturna de Albufeira

Cerca das 3:13 de terça-feira, um condutor entrou na Rua da Oura, uma rua de Albufeira encerrada ao trânsito durante o horário noturno, depois de alegadamente ignorar ordens de paragem da Guarda Nacional Republicana (GNR).

Ficaram feridas 16 pessoas, incluindo dois militares da GNR. Duas vítimas foram internadas com ferimentos graves. Segundo a polícia, o condutor, de 35 anos, apresentava 1,29 gramas de álcool por litro de sangue. Ficou em prisão preventiva na quinta-feira e está indiciado por seis crimes, entre eles homicídio qualificado na forma tentada, condução perigosa, resistência e coação sobre funcionário, desobediência qualificada, condução sem carta e falsificação de documentos. São suspeitas, não condenações.

O presidente da Câmara de Albufeira disse que o município iria reavaliar as barreiras e restrições à circulação automóvel na Rua da Oura. O incidente reabriu também a discussão sobre policiamento, turismo assente no consumo de álcool e acesso de moradores a ruas ocupadas por milhares de visitantes durante a noite.

A revisão municipal decidirá se os acessos e as barreiras mudam numa das zonas balneares mais movimentadas do país. O processo criminal determinará a responsabilidade pelos ferimentos.

Relato do incidente Comunicado do município Prisão preventiva e crimes indiciados

Portugal cumpriu as metas do PRR enquanto as obras continuavam

O Governo declarou na sexta-feira que o Plano de Recuperação e Resiliência estava totalmente executado. O programa vale 22,216 mil milhões de euros: 16,325 mil milhões em subvenções europeias e 5,891 mil milhões em empréstimos. Abrange 44 reformas e 117 investimentos em habitação, saúde, educação, administração pública, energia e digitalização.

“Concluído”, porém, refere-se aos marcos e metas formais acordados com Bruxelas. Não significa que todas as escolas, centros de saúde, residências ou projetos de habitação estejam fisicamente terminados. O Governo afirmou que mais de 28 mil das 40 mil habitações prometidas estavam concluídas no fim de agosto e que as restantes deveriam ficar prontas até dezembro.

O plano foi revisto várias vezes. Foram retirados projetos considerados incapazes de cumprir o prazo. Alguns deverão continuar com verbas do Orçamento do Estado, do Portugal 2030 ou de outras fontes de financiamento.

Pelos próprios números do Governo, cerca de 12 mil das 40 mil habitações prometidas continuavam por concluir depois de o programa ter sido declarado completo. Outros projetos tinham passado para orçamentos diferentes ou permaneciam em obra.

Comunicado do Governo Dados do PRR Notícia da Reuters

O que mudou para si

Os litígios de imigração estão a sobrecarregar os tribunais administrativos

40.632processos apresentados por cidadãos estrangeiros entre 1 de janeiro e 20 de agosto

Cidadãos estrangeiros apresentaram 40.632 processos nos tribunais administrativos e fiscais portugueses entre 1 de janeiro e 20 de agosto, a maioria contra a AIMA. No conjunto mais amplo de ações iniciadas por imigrantes, 130.459 processos aguardavam decisão.

Os 130.459 processos pendentes não correspondem a um total de pedidos de residência por decidir na AIMA. Incluem também notificações de afastamento, processos relativos a outras entidades públicas, decisões consulares e atrasos em pedidos de nacionalidade.

Quando uma marcação, renovação ou decisão não chega, alguns residentes recorrem a advogados e aos tribunais administrativos. Isso acrescenta custos e incerteza para o requerente e envia para os tribunais trabalho que um serviço de imigração eficaz teria resolvido antes.

Intentar uma ação não garante uma autorização de residência. Os números mostram quantas pessoas procuram uma ordem judicial porque a via administrativa normal não produziu uma decisão.

Consultar a notícia sobre os dados judiciais

A gasolina e o gasóleo subiram com força esta semana

A média semanal nacional chegou a 1,986 euros por litro na gasolina 95 e a 2,066 euros no gasóleo na semana iniciada a 24 de agosto. Um abastecimento de 50 litros custava, assim, cerca de 99,30 euros em gasolina ou 103,30 euros em gasóleo. Eram mais 1,60 euros e 2 euros do que na semana anterior.

São médias nacionais comunicadas à Comissão Europeia e incluem taxas e impostos. Não garantem o preço de qualquer posto. Os valores variam entre operadores e localidades.

Dados semanais da Comissão Europeia

O registo de médicos de família mudou, mas 1,36 milhões de pessoas elegíveis continuam sem médico

1,36 Mutentes elegíveis que continuavam à espera de médico de família

Portugal concluiu uma grande reclassificação do Registo Nacional de Utentes. Das 10.769.099 pessoas inscritas nos cuidados de saúde primários, 10.599.255 reuniam os requisitos para ter médico de família.

Cerca de 9,23 milhões tinham médico. Outras 1.364.561 pessoas elegíveis continuavam à espera, o que fixava a cobertura nacional em 87%. A média escondia uma grande diferença regional: 98% no Norte, 95% no Centro, 83% no Alentejo, 80% no Algarve e 74% em Lisboa e Vale do Tejo.

Outros 169.844 utentes inscritos foram classificados como não elegíveis para atribuição porque o registo não indicava um título de residência válido, porque não utilizavam um serviço do SNS há cinco anos ou porque tinham manifestado a vontade de não ter médico de família. A exclusão da contagem para atribuição não retirou, por si só, todos os direitos de acesso a cuidados de saúde.

A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) afirma que quem tenha informação em falta ou desatualizada pode levar os documentos necessários a um centro de saúde ou hospital do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e pedir a atualização do registo. Mesmo depois da revisão, 1.364.561 utentes elegíveis continuavam à espera de médico.

Números dos médicos de família Dados dos cuidados primários no SNS

Pessoas, lugares e cultura

Um veículo amarelo do Elevador da Glória numa rua de Lisboa
Elevador da Glória em junho de 2025. Fotografia: Jakub Hałun, CC BY 4.0. Fonte da imagem

A investigação da Glória chegou a suspeitos identificados

Duas pessoas e uma empresa foram constituídas arguidas no inquérito criminal ao descarrilamento do Elevador da Glória: um antigo diretor de manutenção da Carris, o responsável da MNTC, que mantinha os elevadores históricos de Lisboa, e a própria MNTC.

O acidente de setembro de 2025 matou 16 pessoas e feriu 24. O Ministério Público investiga alegadas violações de regras de segurança, com atenção sobre os trabalhos de manutenção e a fiscalização do prestador pela Carris. As notícias referem também uma avaliação de engenharia anterior, que descrevia o cabo instalado como solução temporária que exigia vigilância mais apertada. O relatório preliminar do acidente indicou depois que o cabo não estava certificado para transportar pessoas.

No processo penal português, um arguido é um suspeito formal com direitos definidos. Não é uma condenação, e o Ministério Público ainda não tinha deduzido acusação final.

Notícia sobre a investigação
Fernando Pimenta a competir numa final de canoagem K1 1.000 metros
Fernando Pimenta durante a final de K1 1.000 metros de 2016, em Moscovo. Fotografia: Voltmetro, CC BY-SA 4.0. Fonte da imagem

Fernando Pimenta foi campeão do mundo pela quarta vez

Fernando Pimenta venceu no sábado o título mundial de K1 1.000 metros, em Poznań, com 3 minutos e 24,39 segundos, apenas 0,22 segundos à frente do húngaro Bálint Kopasz.

Foi o quarto título mundial do canoísta português de 37 anos naquela distância e o décimo pódio em Campeonatos do Mundo no K1 1.000 metros.

Aos 37 anos, Pimenta continuava a vencer os melhores atletas numa disciplina olímpica. O primeiro pódio mundial na distância tinha acontecido 16 anos antes; a vitória de Poznań prolongou um registo que poucos atletas portugueses conseguem igualar.

Resultado oficial

Ir, ver, fazer

Pessoas a caminhar entre árvores nos Jardins do Palácio de Cristal, no Porto
Jardins do Palácio de Cristal. Fotografia: JP Bennett, CC BY 2.0. Fonte da imagem

Porto

Livros e música nos jardins do Palácio de Cristal

A Feira do Livro do Porto continua nos Jardins do Palácio de Cristal até 6 de setembro, com conversas, oficinas, cinema e música nos jardins e na biblioteca. Há um concerto gratuito por volta das 19:00. Algumas sessões em espaços fechados podem exigir inscrição ou um bilhete gratuito sujeito à lotação.

A maioria das conversas decorre em português, mas a feira, os jardins, os livros e os concertos são acessíveis sem domínio da língua.

Datas
Até 6 de setembro
Entrada
Gratuita
Programa da Feira do Livro do Porto
Vista aérea dos telhados e ruas da cidade velha de Faro
Cidade velha de Faro. Fotografia: Arne Müseler / www.arne-mueseler.com / CC BY-SA 3.0 DE. Licença e fonte

Faro

Três noites de música portuguesa na Vila Adentro

O Festival F decorre de 3 a 5 de setembro na Vila Adentro, no centro histórico de Faro. A música portuguesa está no centro do programa, acompanhada por cinema, comédia, literatura, artesanato, conversas, animação de rua e comida.

As crianças até aos 12 anos entram gratuitamente quando acompanhadas por um adulto. Não é permitida a entrada a menores de três anos.

Datas
3–5 de setembro
Bilhetes
22 € dia · 54 € passe
Informação do festival Bilhetes e condições de entrada
Uma multidão reunida ao ar livre durante a Festa do Avante
Festa do Avante na Quinta da Atalaia. Fotografia: Pedro Ribeiro Simões, CC BY 2.0. Fonte da imagem

Amora, Seixal

A Festa do Avante aos 50 anos

A 50.ª Festa do Avante realiza-se na Quinta da Atalaia, na Amora, Seixal, de 4 a 6 de setembro. O programa junta concertos, teatro, cinema, livros, exposições, debates, ciência, desporto, atividades para crianças e gastronomia regional e internacional.

Trata-se de uma festa político-cultural organizada pelo Partido Comunista Português, não de um festival de artes politicamente neutro. A política e o debate fazem parte da experiência. A entrada antecipada para os três dias custava 35 euros até 3 de setembro.

Datas
4–6 de setembro
Passe antecipado
35 € até 3 de setembro
Site oficial da festa O que é a Festa do Avante

Na próxima semana

O Presidente tem de decidir o que fazer com o decreto sobre retorno e asilo

Depois da decisão do Tribunal Constitucional, o decreto regressa a Belém. O Presidente Seguro pode promulgá-lo ou exercer um veto político. A publicação e o calendário de aplicação só poderão seguir-se a essa decisão.

Notícia sobre o Tribunal Constitucional

As regras do transporte por plataforma estão previstas para 1 de setembro, mas a lei publicada contém datas contraditórias

A norma de entrada em vigor da Lei n.º 59/2026 determina que a revisão do regime do transporte em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica entra em vigor na terça-feira. O regime TVDE republicado em anexo à mesma lei mantém, porém, uma norma que aponta para o primeiro dia do terceiro mês após a publicação, ou seja, 1 de novembro. A APTAD, associação representativa de operadores TVDE, pediu ao Governo que esclarecesse o erro.

A revisão permite aos táxis operar através de plataformas TVDE, elimina o teto atual da tarifa dinâmica e introduz novas regras de identificação, segurança e fiscalização. Condutores, operadores e passageiros devem acompanhar tanto os preços como o esclarecimento oficial sobre a data aplicável a todas as normas.

Ler a Lei n.º 59/2026 Notícia sobre o conflito de datas

O Chega ameaçou apresentar uma moção de censura por causa do ministro Luís Neves

André Ventura afirmou que o Chega avançaria contra o Governo se Luís Neves continuasse em funções depois de 1 de setembro. O PSD desvalorizou a ameaça, enquanto o PS sublinhou a estabilidade política e não deu sinais de apoio. À hora de fecho do fim de semana, era ainda um ultimato, não uma moção formalmente apresentada no Parlamento.

Notícia política da RTP

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Referências do artigo

Fontes e notas

  1. Fiscalização constitucional · 28 de agosto de 2026

    Comunicado do Tribunal Constitucional e notícia sobre a fiscalização preventiva

    Âmbito e resultado da fiscalização do decreto sobre retorno e asilo.

  2. Notícia · 25–28 de agosto de 2026

    Incidente na Rua da Oura, prisão preventiva e resposta municipal

    Feridos, versão policial, crimes indiciados e revisão do acesso à rua.

  3. Governo e dados do programa · 28 de agosto de 2026

    Plano de Recuperação e Resiliência

    Declaração de conclusão, valor, metas e execução física por terminar.

  4. Dados dos tribunais · 24 de agosto de 2026

    Processos administrativos apresentados por cidadãos estrangeiros

    Dados do CSTAF sobre novos processos, pendências e entidades envolvidas.

  5. Dados semanais oficiais · 24 de agosto de 2026

    Boletim Petrolífero Semanal da Comissão Europeia

    Médias nacionais da gasolina e do gasóleo, incluindo impostos, e variação semanal.

  6. Dados da ACSS · 29 de agosto de 2026

    Cobertura de médico de família depois da revisão do RNU

    População elegível, lista de espera, cobertura nacional e distribuição regional.

  7. Investigação noticiada · 28 de agosto de 2026

    Arguidos no inquérito ao Elevador da Glória

    Estado do inquérito criminal e questões de manutenção noticiadas.

  8. Resultado desportivo oficial · 29 de agosto de 2026

    Fernando Pimenta campeão mundial em K1 1.000 metros

    Resultado, tempo, diferença e historial na distância.

  9. Informação oficial do evento

    Feira do Livro do Porto

    Datas, local, programa gratuito e concertos ao fim da tarde.

  10. Informação oficial turística e de bilheteira

    Festival F

    Datas, local, programa, preços e entrada de crianças.

  11. Informação oficial da organização

    Festa do Avante

    Datas, local, preço antecipado, programa e contexto político.

  12. Legislação · 25 de agosto de 2026

    Lei n.º 59/2026 e as datas contraditórias de entrada em vigor

    Alterações ao TVDE previstas para setembro e conflito no texto publicado.

  13. Notícia política · 28 de agosto de 2026

    Anúncio de uma moção de censura pelo Chega

    Ultimato tal como existia à hora de fecho de sábado.

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