Pessoas e cultura
Porque há andorinhas de cerâmica nas paredes portuguesas?
As aves estão ligadas à cerâmica de Rafael Bordalo Pinheiro nas Caldas da Rainha, onde eram produzidas no final do século XIX.
As aves de cerâmica nas paredes portuguesas são andorinhas. Surgem muitas vezes em pequenos bandos, com as asas em ângulos diferentes. Os modelos de Bordalo Pinheiro ajudaram a tornar a ave uma decoração familiar em casas, lojas e jardins públicos.
Porque escolheu Bordalo Pinheiro a andorinha?
As plantas e os animais atravessam a cerâmica de Bordalo Pinheiro. Na fábrica das Caldas da Rainha, as andorinhas juntaram-se a rãs, gatos e vegetais. O Museu Bordalo Pinheiro enquadra esta produção no naturalismo, a atenção artística às formas do mundo vivo.
O museu atribui-lhe a criação e modelação da andorinha, embora não esteja identificada uma declaração que explique a escolha desta ave.
Datas da história da andorinha
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O fabricante Bordallo Pinheiro situa em 1896 o registo da patente do modelo.
Bordallo Pinheiro · Coleção Andorinhas -
As aves espalharam-se por fachadas e interiores de casas portuguesas, segundo o Museu Bordalo Pinheiro.
Museu Bordalo Pinheiro · O regresso das andorinhas -
Num texto de fevereiro de 2013, A Vida Portuguesa situa neste ano a sua reedição a partir dos moldes originais.
A Vida Portuguesa · As andorinhas originais e populares, fevereiro 2013 -
A instalação O regresso das andorinhas, de Madalena Martins, esteve no Museu Bordalo Pinheiro entre 18 de maio e 14 de outubro, dando continuidade artística ao motivo.
Museu Bordalo Pinheiro · O regresso das andorinhas
Simbolizam amor, fidelidade ou regresso a casa?
O amor, a fidelidade e o regresso a casa fazem parte da leitura atual da andorinha. Numa entrevista ao Jornal de Leiria publicada em 12 de fevereiro de 2020, Elsa Rebelo, diretora artística da Bordallo Pinheiro, associou-a à emigração e ao regresso às raízes. É a interpretação contemporânea do fabricante, não um significado registado pelo criador original.
Onde aparecem fora das lojas de recordações?
A Tabacaria Mónaco, na Praça Dom Pedro IV, em Lisboa, conserva andorinhas de Bordalo Pinheiro na decoração histórica do interior. O diretório governamental Comércio com História identifica-as juntamente com os azulejos do artista.
Nas Caldas da Rainha, o roteiro oficial de turismo assinala uma instalação de 60 andorinhas pretas e brancas na Rua Dr. Leão Azedo. As peças ampliadas levam os modelos da fábrica para a rua. Em grupo, as diferentes dimensões e posições das aves sugerem o movimento de voo.
Todas as andorinhas são um Bordalo original?
Um desenho original e um objeto do século XIX são coisas diferentes. Uma peça nova pode seguir um molde histórico sem ser uma antiguidade. A Vida Portuguesa descreve as suas andorinhas como produzidas a partir dos moldes originais, distinguindo-as de outras versões populares no relato que faz da recuperação destas peças.
Ao comprar, pergunte quem produziu a peça e se é fabrico atual, interpretação posterior ou objeto histórico datado. A silhueta não basta para identificar a oficina nem a idade.
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